quinta-feira, 17 de março de 2011

Só Os Loucos Sabem

É tênue a linha que separa a felicidade da loucura, afinal a arte de ser feliz nos conduz ao limiar da sanidade. Como já escrevi diversas vezes aqui mesmo neste Blog precisamos estar dispostos a correr riscos. Precisamos deixar de lado a sanidade e a racionalidade das lógicas matemáticas para construir nossas próprias fórmulas.

Sei que não é fácil ser feliz, se fosse fácil sequer existiriam dor e tristeza. Mas porque fazemos da felicidade um objetivo tão complexo? Antes de continuar este texto quero que você responda uma pergunta para você mesmo: o que é felicidade?

Na literatura existem dois tipos de felicidade ou bem estar: a felicidade hedônica e a felicidade eudaimônica.

O termo hedônico, de origem grega, significa a satisfação de um prazer. Podemos definir a felicidade hedônica como o bem estar imediato e transitório que atingimos depois de conquistarmos um objetivo ou de revertermos um desprazer. Ela é a alegria momentânea ou o prazer temporário que pode ser alcançado inclusive por pessoas que estejam vivendo com diagnóstico clínico de depressão.

Não é necessário ser "louco" para ter este tipo de felicidade. São exemplos de bem estar hedônico a satisfação com uma boa refeição, o prazer sexual, uma vitória do seu time de coração e até mesmo a sensação gostosa depois de um simples elogio.

O termo eudaimônico, também de origem grega, pode ser definido como a "vida que vale a pena ser vivida". A felicidade eudaimônica é um bem estar constante, uma forma de encarar o mundo e seus fatos bons ou ruins carregada de otimismo e positivismo. A felicidade eudaimômica é o antônimo de depressão e diversos estudos comprovam seu poder de melhoria nos sistemas imunológico, neuroendócrino e cardiovascular aumentando a capacidade de cura na ocorrência de doenças.

São exemplos de felicidade eudaimônica o sentimento de paz interior, o sorriso constante, a vontade de viver, a sensação de estar em sintonia com o mundo e com as outras pessoas. Resumindo a história a diferença do bem estar hedônico para o eudaimônico é a mesma diferença que existe entre estar feliz e ser feliz de fato.

Normalmente as pessoas felizes são chamadas de loucas por acreditar e assumir grandes riscos, por conseguir encarar com positivismo até mesmo as maiores perdas e por brincar como crianças independente de suas idades. Talvez seja realmente loucura levantar sorrindo depois de um tombo, ou contar piadas deitado no leito de um hospital. Mas se este tipo de atitude for de fato loucura faço questão de ser chamado de louco até o fim dos meus dias, porque no fundo só os loucos sabem o que é felicidade.

Trechos de músicas de loucos famosos
"Eles dizem que é impossível encontrar o amor sem perder a razão mas pra quem tem pensamento forte o impossível é só questão de opinião. E disso os loucos sabem, só os loucos sabem." Só Os Loucos Sabem - Charlie Brown Jr

"Dizem que sou louco por pensar assim. Se eu sou muito louco por eu ser feliz... Mais louco é quem me diz e não é feliz. Eu sou feliz." Balada do Louco - Os Mutantes

"Enquanto você se esforça pra ser um sujeito normal e fazer tudo igual, eu do meu lado aprendendo a ser louco, um maluco total na loucura real. Controlando a minha maluquez misturada com minha lucidez." Maluco Beleza - Raul Seixas

"Hoje eu tô jogando tudo fora tudo que não presta mais. Todo o lixo que juntei nos meus becos e quintais. Tô falando de loucura, tô falando de viver. Aura clara, sorte escura, descobrir o que se é e ser." Gentil Loucura - Skank

"Tudo acontece de repente entre a loucura e a razão. Ah, essa vida mata a gente de tédio e paixão. Tudo não passa de um momento, Um pensamento, uma visão... Prego um sorriso nos lábios, pinto alegria nos olhos, planto ironia no coração." Entre a Loucura e a Razão - Toquinho

quarta-feira, 16 de março de 2011

Mullets, Ombreira e Calça Semibaggy

Menudo
Ahh, o mercado da moda... Calça boca-de-sino, saint-tropez, baggy, semibaggy; saia longa, mini-saia, micro-saia, saia balonê; maiô, biquini de bolinhas, fio dental; palitó com ombreira, 2 botões, 3 botões, 4 botões; cabelo repicado, mullets, black power, franjinha, alisamento, permanente... E a tendência de hoje é o brega de amanhã.

Banda Restart
E você que dançava Menudo e namorava ao som de New Kids On The Block condena a juventude de hoje por gostar de Restart. Se você faz parte deste grupo de pessoas que acabei de descrever perceba nas fotos ao lado que a diferença não é tão grande...

Não condeno quem realmente gosta e segue a moda, mas juro que não consigo entender as "marionetes sócio-comerciais" que seguem todas as tendências sem nunca definir seu próprio gosto, seu estilo e sua opinião.

Já segui algumas modas, não por estarem na moda mas porque me identifiquei com elas. Já experimentei diferentes visuais e tendências, mas nunca abri mão de ter minha identidade própria, de definir minha marca.

Mas o objetivo deste post não exaltar meu jeito de ser nem condenar o de ninguém. Quero falar sobre a diferença entre tendências e estilos. As tendências nascem para alimentar a indústria do consumo, são bombardeardas pela mídia e logo desaparecem para dar espaço a outra tendência.

Os estilos nascem e se definem alimentados por diferentes tendências. Alguns estilos são estáticos, outros podem se atualizar através do tempo influenciados também por outras tendências.

As tendências passam, os estilos permanecem. Passam Restart, Menudo, New Kids On The Block, Backstreet Boys e tantos outros; ficam Beatles, Rolling Stones, Queen, Creedence, Djavan, Roberto Carlos, Caetano, Legião Urbana...

O verbo "marcar" vem do substantivo "marca". Qual é sua marca pessoal? Quem é você? Qual é o seu estilo?

Não importa se você usa Mullets, ombreira ou calça semibaggy. O que importa realmente é se você prefere ser lembrado ou esquecido. Defina quem você é, não seja apenas mais um seguidor de tendências. Seja um amigo marcante, um amante marcante, um profissional marcante... Seja uma pessoa marcante. Tenha sua marca! Tenha seu estilo!

terça-feira, 15 de março de 2011

De Braços Abertos

Abrir os braços para a vida é aprender a receber com a mesma alegria e naturalidade todas as conquistas e todas as perdas que o destino nos oferece, abraçar um mundo inteiro de belezas e imperfeições e aceitar que tanto as vitorias quanto as derrotas só existem para quem tem a ousadia de correr o risco e batalhar pela felicidade.

Ser feliz não é tão fácil quanto escrever um texto com frases de impacto e palavras bonitas. O dia a dia muitas vezes responde nossas boas ações com ofensas injustas.

Aceitar uma derrota é fácil quando desde o início sabíamos estar errados, são "perdas programadas". Difícil é ser derrotado depois de planejar e oferecer nosso máximo, depois de entregar tudo de melhor que temos em nós. Nos sentimos insuficientes, incapazes e inúteis. Momentaneamente perdemos nossas forças.

É exatamente nesta hora que separamos os grandes dos pequenos. Enquanto muitos fechariam a guarda e cerrariam os punhos você precisa recuperar as energias e abrir ainda mais seus braços para respirar e entender a queda. Não perca tempo dando murros em ponta de faca, atitudes iguais te levam a resultados iguais. Aprender com a derrota e se reerguer te rouba no máximo o primeiro round da luta, a decisão de ser nocauteado ou não é sua.

Encare a vida de braços abertos. Aceite as vitórias como prêmios e as derrotas como lições. Se metade do mundo não faz sentido para você construa seu próprio mundo dentro da outra metade. E nunca esqueça de manter seus olhos tão abertos quanto os braços.

segunda-feira, 14 de março de 2011

O Que Murphy Realmente Disse

Você conhece a verdadeira história ou sabe o que diz de fato a Lei de Murphy?

Edward A. Murphy Jr.
Nascido no Panamá em 1918, Edward Aloysius Murphy Jr. foi major e engenheiro aeroespacial na Força Aérea Americana.

Em 1947, após servir como piloto durante a Segunda Guerra Mundial, Murphy foi transferido para o Instituto de Tecnologia da Base de Wright-Patterson, onde trabalhou no "Projeto MX981" que tinha por objetivo determinar o limite de desaceleração súbita suportada por um ser humano.

Durante um teste fundamental em 1949 os sensores que registrariam os resultados não funcionaram porque seu assistente os instalou de forma errada. Revoltado com a situação Murphy disse: "Se existir uma maneira de fazer errado ele vai errar".

Após uma segunda tentativa, onde o teste obteve sucesso, John Stapp, médico brasileiro que fazia parte da equipe de Murphy, disse em coletiva de imprensa que a experiência foi bem sucedida porque a equipe se blindou de todos as falhas possíveis e enunciou publicamente a Lei de Murphy dizendo: "Se alguma coisa pode dar errado, ela dará"

O termo "Lei de Murphy" se espalhou rapidamente e é amplamente conhecido na cultura ocidental, porém apenas com a conotação de pessimismo. Murphy tinha fama de azarado, mas não se julgava pessimista e sim precavido. O verdadeiro objetivo da frase dita por ele e refinada por Stapp é nos dizer: "Não dê chances para o azar".

Ironicamente Edward Murphy morreu em 1990 em um acidente que comprovou toda sua fama de azarado. Seu carro ficou sem combustível e enquanto o empurrava até o posto de gasolina foi atropelado por um turista inglês que estava dirigindo na contramão.

Não deixe que os riscos passem despercebidos. Seja mais ativo e menos reativo. Não é necessário esperar pelo acidente, ao perceber que existe a chance de algo ruim acontecer encontre soluções preventivas. Cedo ou tarde todos os riscos não tratados se transformam em catástrofes e foi isso o que Murphy realmente disse.

domingo, 13 de março de 2011

Vou Sim, Quero Sim, Posso Sim!

Sim, vou começar escrevendo exatamente o que você pensou: minha mulher não manda em mim! O fato é que após explodirem no You Tube os hits "Minha Mulher Não Deixa Não" (Reginho e Banda Surpresa) e a resposta "Vou Sim, Quero Sim, Posso Sim" (Júnior e Banda Canibal) invadiram o Carnaval de todo o país. Me perdoem se eu estiver dando crédito para a banda errada, mas acreditem, já existem dezenas de gravações destas músicas circulando por aí e a informação de quem é dono da versão original está bastante confusa...

Por favor não me entenda mal, em momento algum estou desmerecendo a mulher especial com quem divido meus dias, afinal eu também não mando nela. Relacionamentos amorosos devem ser democráticos, baseados na igualdade e não em tirania e submissão.

Ao falar sobre a igualdade de poder e direitos entre homens e mulheres me lembro de um professor que tive no ensino médio explicando que na história da Bíblia a mulher foi criada a partir de uma costela de Adão. Não foi nem de um osso do pé nem da cabeça, saiu do meio do nosso corpo para mostrar que não estamos nem acima nem abaixo, estamos no mesmo nível.

Ninguém pertence a ninguém e ninguém manda em ninguém. Dentro de um relacionamento amoroso duas pessoas não se tornam uma só. O amor é soma e não subtração. Continuamos sendo duas pessoas independentes que no exercício de suas liberdades escolheram viver juntas, e esta escolha não aconteceu apenas uma vez mas se renova a cada dia.

Como seres independentes precisamos manter nosso espaço e nossa individualidade. Ter uma vida a dois não pode te impedir de seguir sua vida particular. Cultive seus próprios amigos, mantenha seus hobbies, coma aquele prato que a outra pessoa não gosta, escute as músicas que realmente te agradam... Você continua sendo a mesma pessoa, só que agora ganhou um companheiro (espero que não seja um "encosto").

Quando alguém te convidar para algo que realmente queira fazer não pestaneje, responda com o título deste post: vou sim, quero sim, posso sim!

P.S.- Mas tome cuidado com suas vontades...

sexta-feira, 11 de março de 2011

O Julgamento e o Perdão

"Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês. Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: 'Deixe-me tirar o cisco do seu olho', quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão." Mateus 7:1-5

Que direito ou mérito maior nos torna aptos a condenar qualquer outra pessoa? Quantas vigas você carrega em cada um dos seus olhos?

Nos enxergamos maiores do que realmente somos, acreditamos estar isentos aos riscos e acabamos nos colocando acima de muitas das regras que nós mesmos cobramos dos outros.

Erramos de forma crônica e para minimizar nossas fraquezas julgamos outras pessoas projetando nelas nossas deficiências. (É a chamada "Projeção Freudiana", tema abordado anteriormente no post Freud Explica)

A palavra grega traduzida como perdão significa literalmente anular ou cancelar, ou seja, perdoar é libertar seu ofensor não apenas da culpa, mas da própria ofensa. Difícil e muitas vezes quase impossível o perdão é um exercício constante que consiste em seguir basicamente dois passos: não julgar e nos colocar na posição do outro.

Olhar com os olhos do meu agressor e procurar entender seus motivos é uma das lições mais complicadas que já aprendi na vida. Só consegui de fato evoluir neste aprendizado quando percebi que entender não é sinônimo de aceitar. Para perdoar alguém é fundamental descobrir seus motivos e imaginar como agiríamos na mesma situação. Isto nos credencia a entender, o que não significa que temos a obrigação de aceitar.

Perdoar antes de tudo nos afasta dos maus sentimentos e das lembranças ruins, depois liberta o agressor da culpa e da agressão, mas não o livra das consequências. As consequências são naturais e destas o tempo se encarrega. O sentimento que acabou, a dor, as perdas... Não temos poder sobre elas.

O maior bem que podemos fazer a nós mesmos é nunca julgar e sempre perdoar. Sugiro que comece por você mesmo: autocrítica é importante mas por favor não se condene!

Estou De Volta

Depois de alguns dias sem escrever não haveria título melhor do que este. Entrei na correria da última semana antes das férias, depois veio o Carnaval, começaram as férias... No fim das contas aqui estou de volta, 10 dias depois da última postagem, escrevendo neste Blog diário.

Mas o tema de hoje não é minha volta ao Blog. Quero falar sobre todas as coisas importantes que abandonamos por dias, semanas, meses ou anos. Deixamos a porta aberta, "damos um tempo", recuperamos as energias, e da mesma forma repentina com que paramos estamos lá de volta para a retomada, e como em um passe de mágica tentamos recuperar o tempo perdido.

Quantas portas abertas você deixou para trás? Quantas oportunidades estão te esperando guardadas para depois? Quantas histórias interrompidas você já conseguiu de fato recuperar?

Estudos científicos atestam que é impossível recuperar o sono perdido. Nem mesmo 48 horas seguidas de sono em um final de semana são capazes de recompor a perda de reflexo e atenção causadas por uma semana mal dormida. Para se recuperar das perdas é preciso continuidade, seu corpo só estará completamente recuperado após cerca de duas semanas de bom sono.

No controle remoto da vida as teclas "pause" e "rewind" não funcionam, podemos usar apenas as teclas "stop" e "play". O que te peço como amigo é que tenha consciência de que "dar um tempo" é utopia e eufemismo, o que acontece de fato são finais e reinícios e neste intervalo nada fica de fato te esperando.

As pessoas mudam, envelhecem, morrem, encontram outras pessoas... Os papeis ficam amarelados e viram pó... As empresas fecham... Você muda também...

Não deixe a vida para depois e não guarde as oportunidades em um cofre. Se existe um tempo certo para retomar seus sonhos este tempo é agora. Crie coragem, se arrisque, tente quantas vezes forem necessárias e consiga. Se permita olhar no espelho ainda hoje e dizer em alto e bom tom para todas as coisas importantes que um dia deixou paradas: "Estou de volta"!